Saturday, June 14, 2008

O não irlandês

Recentemente a Irlanda referendou o Tratado de Lisboa, acto de coragem? não... foi um acto constitucional que obrigava a Irlanda a fazê-lo, caso contrário provavelmente não o faria (como sucedeu nos outros 26 países).

O Tratado de Lisboa, foi assinado, como diz o próprio nome, em Lisboa e pode-se dizer que é quase o mesmo que o já rejeitado pela França e Holanda em 2005.

A meu ver este "não" irlandês é um reflexo da existência de duas Europas: a dos Governantes, quem decide em nome dos seus cidadãos, e aparentemente não necessita da sua aprovação (curioso não?) e a dos cidadãos que nunca/raramente são consultados sobre os assuntos europeus.

Infelizmente para a classe Governante e ao contrário do que costuma dizer os votantes gostam de ter uma palavra a dizer sobre o seu futuro e nem sempre têm uma memória curta. Os referendos holandês, francês e agora irlandês mostram isso mesmo.

Os "construtores" europeus sempre desenharam a Europa às escondidas dos povos que nela habitavam, agora pagam a factura... espero apenas não terem dado início ao fim de uma excelente cooperação e união entre povos.

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Sunday, July 22, 2007

Uma boa orientação

A União Europeia definiu, hoje em Lisboa, alguns os seus objectivos para a economia europeia.

(i) Uma indústria europeia competitiva e sustentável a nível ambiental;
(ii) Aumento do emprego;
(iii) Apoio às pequenas e médias empresas.
Dificilmente se consegue discordar destes objectivos, contudo penso que são um pouco evasivos, na medida em que dificilmente serão mensuráveis. Não são afixadas metas, nem é dito como ou quem irá acompanhar os resultados.
Acredito que é possível ter uma indústria competitiva e ao mesmo tempo amiga do ambiente: indústrias inovadoras tendem a serem mais eficiente no aproveitamento da energia utilizada e a adoptarem as mais recentes tecnologias (por norma menos poluidoras).
O aumento do emprego só é viável se tal acontecer por via do crescimento das empresas europeias. Porém o crescimento das empresas dificilmente acontecerá se não houver um clima económico favorável e oportunidades de mercado.
O apoio às pequenas e médias empresas é algo que embora apoie tem de ser visto com grande cautela.
A competição entre as empresas é das práticas mais saudáveis para se conseguir crescimento económico, porém devem ser atribuídos com um grande cuidado. Devem ser dados incentivos às empresas para se afirmarem no meio em que competem e não para seguirem na sua procura por elefantes brancos, ou pior...
Gostaria de acreditar que as medidas tomadas fossem consistentes com os objectivos propostos. Infelizmente o meu cepticismo relativamente à concretização de algumas iniciativas europeias, como esta, leva-me a crer que esta será apenas mais uma boa orientação europeia.

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Thursday, July 19, 2007

O quarteto vulgar

Recentemente li uma notícia e constatei que a comunidade internacional está cada vez mais empenhada, pelo menos aparenta, para resolver a crise do Médio Oriente.

Nessa notícia o que mais me chamou a atenção foi a existência de um quarteto internacional empenhado na resolução do conflito aí existente.

Este quarteto é formado pelos Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU. Este quanto a mim é um quarteto que apesar de internacional é vulgar... Não vejo como poderá este quarteto ter sucesso onde outras iniciativas semelhantes conheceram o insucesso. Não percebo qual a sua mais valia, alguém sabe?

Tenho também alguma dificuldade em perceber como é que a ONU se vai associar a países... é suposto a ONU ser o centro de discussão, deveria ser na ONU que as diferenças entre os países seriam resolvidas... porém, neste caso, a realidade é diferente da teoria.

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Sunday, July 08, 2007

Maravilhas da nossa Sociedade

Ontem tive a oportunidade de assistir, ao vivo, à revelação das 7 Maravilhas Portuguesas e do Mundo.

As Maravilhas do Mundo eram originalmente 7. Estas foram eleitas pelos antigos Gregos, há mais de 2000 anos atrás, com o objectivo de criar uma espécie de roteiro de monumentos a ver antes de se "partir para o outro Mundo".

Devido ao conhecimento limitado da altura, as Maravilhas do Mundo ficaram confinadas ao "Mundo" que os Gregos conheciam, daí estas serem todas da região do Mar Mediterrâneo.

Das 7 maravilhas da antiguidade sobra apenas 1, as Pirâmides de Gizé, tendo as restantes desaparecido devido a catástrofes naturais e também humanas (pilhagem, negligência, entre outros...).

Num grande golpe de Marketing, o milionário Bernard Weber, quis nomear 7 novas maravilhas do Mundo numa data histórica - 07/07/(20)07. Não vou comentar as razões pessoais que o levaram a tomar esta iniciativa, creio que são perceptíveis.

Para Portugal não ficar atrás também resolveu ter uma iniciativa semelhante, mas referindo-se apenas a monumentos portugueses. As 7 Maravilhas de Portugal acabaram por servir como aperitivo para as novas 7 Maravilhas do Mundo. (Algo que considero triste).

Toda a cerimónia estava bastante bem organizada e bonita, embora não isenta de alguns erros. Algo que eu não gostei mesmo nada foi a diferença de qualidade da apresentação das Maravilhas de Portugal e as do Mundo, o profissionalismo dos internacionais comparado com os Portugueses é algo incrível... a começar pelas perguntas que faziam aos representantes das novas Maravilhas.

Este evento contou com cerca de 100 milhões de votos, algo inédito na história da Humanidade, provando o interesse que o evento despertou por todo o Mundo.

Identifico neste sistema de votação uma grande falha, estar muito condicionada a nacionalismos relegando para segundo plano a beleza e o simbolismo do Monumento. Quanto a mim, antes do Cristo Redentor está Angkor Wat, no Cambodja.

Um objectivo que convém ser marcado é a preservação dos monumentos... mais do que a eleição de novas maravilhas, penso que a mensagem mais importante a reter é a preservação de todos os Monumentos, quer sejam eles grandes ou pequenos. Por estes contarem uma história e serem um símbolo para a posteridade é fundamental que sejam conservados...

... Afinal de contas as gerações vindouras têm o direito de encontrar o nosso Mundo nas mesmas ou em melhores condições que nós.

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Tuesday, July 03, 2007

Objectivos propostos pela ONU

À entrada de um novo milénio, em Setembro de 2000, todos os membros das Nações Unidas comprometeram-se em cumprir, até 2015, 8 objectivos que visam melhorar a sociedade em que nós vivemos:
  1. Erradicar, em metade, a pobreza extrema;
  2. Estender a educação primária a toda a população;
  3. Promover a igualdade entre os sexos;
  4. Reduzir, em dois terços, a mortalidade infantil;
  5. Reduzir, em três quartos , a mortalidade materna;
  6. Reduzir em metade o número de doentes (SIDA, Malária entre outras) e abrandar a sua disseminação;
  7. Assegurar a sustentabilidade ambiental;
  8. Criação de parcerias que visem o desenvolvimento.

Já estamos habituados a promessas não cumpridas independentemente de quem as fez, porém é sempre de salientar o esforço que esta iniciativa teve (e tem) e da magnitude dos efeitos que pretende alcançar. Critico no entanto os meios para alcançar os fins a que os países se propuseram, estes parecem estar muito mais dependentes de recursos financeiros do que humanos...

Alguns objectivos carecem ainda de uma medição adequada, como a sustentabilidade ambiental ou as parcerias para o desenvolvimento.

Segundo este relatório recentemente publicado pelas Nações Unidas, podemos ver que:

  1. A diminuição da pobreza e fome extremas é algo que está a ser feito, porém é um objectivo que dificilmente estará cumprido em 2015;
  2. Em geral a escolaridade primária está a ser estendida a toda a população, em especial a África sub-sahariana. Prevejo que embora em 2015 ainda não esteja cumprido não ficará longe de estar concretizado;
  3. A promoção da igualdade entre os sexos tem sido alvo de grandes melhorias. Contudo duvido que em 2015 seja cumprido, porque não se mudam mentalidades em 15 anos, é necessário mais tempo;
  4. Realmente conseguiu-se reduzir a mortalidade infantil, mas serão estes números conseguidos o suficiente para se proclamar sucesso?
  5. Apesar da melhoria registada na mortalidade materna, ainda há muito que fazer. São apontadas como factores a melhorar: a fraca assistência médica nas zonas rurais, a gravidez precoce, entre outros...
  6. Em virtude da menor disseminação das doenças que se pretende combater, é previsível que no futuro menos pessoas morram das mesmas. É no entanto duvidoso que se alcance os níveis a que se propuseram;
  7. A protecção ambiental é o único ponto em que não se está a conseguir fazer progressos, as emissões de dióxido de carbono continuam galopantes e apenas se conseguiu diminuir o crescimento da desflorestação, suspeita-se que este objectivo fique muito aquém do idealizado em 2015;
  8. De salientar o elevado crescimento do uso de novas tecnologias e a fraca apetência para a criação de emprego dos países. Certamente que o objectivo de criar parcerias de desenvolvimento estará ainda por cumprir em 2015.

Como se pode concluir, não sou optimista em relação a este programa implementado pela ONU. Identifico como obstáculos ao cumprimento dos objectos propostos, a falta de vontade dos países envolvidos e a corrupção existente em muitos dos países que apresentam maiores dificuldades económicas e sociais.

É quase inútil mobilizar recursos financeiros quando as autoridades "competentes" não estão dispostas a usá-los para os melhores fins...

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Tuesday, June 26, 2007

O ópio do Afeganistão

Infelizmente o Afeganistão tem sido conhecido por factores pouco favoráveis, este é recordado pela sua ligação com o presumível autor dos ataques às Torres Gémeas e pela sua quota de produção de ópio.

Segundo um inquérito realizado aos agricultores em 2005 num estudo das Nações Unidas , as razões apontadas para produzir o ópio eram:

- o elevado preço do ópio (quando comparado com outras produções) 42%; necessidades pessoais 34%; Elevada procura 24%.

Já as principais razões (várias respostas eram admissíveis) para não se produzir:

- Receio de ser expropriado (70%); Medo de ir para a prisão (40%); Proibido pelo Islão (31%);

No mesmo documento encontramos um gráfico que mostra a evolução da produção de ópio no Afeganistão. Verificamos que em 2001 esta sofreu um queda abrupta, as razões são óbvias: o ataque às torres gémeas virou os holofotes da cena internacional para o Afeganistão e juntando-se à intervenção americana o resultado não poderia ser outro que não a queda vertiginosa da produção de ópio.

Actualmente cerca de 90% do ópio Mundial é produzido no Afeganistão, uma situação que é atribuída a 3 factores:

- Falta de projectos económicos viáveis que melhorem as condições de vida da população;

- Fraco empenho em lutar contra a produção de ópio;

- Região propícia à produção.

Infelizmente a intervenção americana apenas produziu efeitos passageiros na produção do ópio, revelando uma falta de empenho na actual situação afegã... o fraco empenho político no Afeganistão irá prolongar as fracas condições de vida dos seus cidadãos, e como diz o ditado popular "quem semeia ventos, colhe tempestades".

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Tuesday, June 12, 2007

E agora?

A 29 de Maio de 2005 iniciou-se um novo capítulo da construção europeia, com o não francês à constituição europeia (seguida de duas semanas mais tarde pelo não holandês), um capítulo que poderia intitular-se “e agora?”

Não é a primeira vez, e certamente não será a última, que a Europa dá um passo atrás no seu processo de construção. Os exemplos do projecto de defesa europeu, da política da cadeira vazia, entre outros, mostram que a Europa teve a “capacidade de encaixe” necessária e ânimo para encontrar soluções à altura dos seus problemas.

Para que servia a constituição europeia?

O projecto da constituição de então mudava o processo de decisão, a representatividade da Europa face ao exterior (Ministro dos Negócios Estrangeiros Europeu) e reforçava alguns poderes e princípios consagrados em Tratados anteriores.

Esta constituição, no meu entender, poderia melhorar (ainda que marginalmente) o funcionamento da União Europeia, conferindo-lhe um pouco mais de poder e autonomia. Admito no entanto que este texto não resolveria o défice democrático existente na União Europeia…

Porque se votou contra?

As justificações mais fundamentadas e convincentes estavam mais relacionados com questões laterais ao objecto de votação. O descontentamento das populações face à situação europeia da altura e questões internas foram as mais aceites… creio no entanto que foi a falta de representatividade das populações nas decisões importantes europeias e de soluções que a Constituição apresentava que fez a mesma voltar para trás.

E agora?

Agora, a fim de resolver este impasse desnecessariamente criado, pretende-se fazer uns ajustes ao texto que se chamou de Constituição e passá-lo não através das populações directamente, mas antes pelos representantes que cada Estado Membro elegeu… afinal de contas também é a vontade popular que votou neste tratado, ou não?

O poder entregue aos representantes dos eleitores tem os seus limites, estes são representantes da vontade popular não substitutos. Não é viável que em matérias vitais para um país as opiniões das populações não sejam ouvidas ou respeitadas…

Assistimos a algo que se chama de imaturidade europeia, na qual os actuais políticos ainda não são capazes de resolver os actuais problemas europeus com frontalidade ou evitar futuras complicações.

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Thursday, June 07, 2007

A questão anti-míssil

Os Estados Unidos (EUA), através do seu Presidente George W. Bush, pretendem instalar sistemas de defesa anti-míssil na República Checa e na Polónia.

O argumento seria proteger a zona de possíveis mísseis norte coreanos, iranianos ou de outras ameaças emergentes no Médio Oriente.

Os russos não se mostram satisfeitos com esta atitude e até ameaçam retirarem-se do tratado de não proliferação de armas nucleares. Estes temem um desequilíbrio de poder na região, um argumento que tenta ser refutado pelos EUA pela impossibilidade deste sistema em travar possíveis mísseis russos, devido à proximidade geográfica (justificação aparentemente válida).

Penso que primeiro de tudo, este é um sinal de que a via diplomática americana está a falhar (ou a perder força), a via armada deve ser o último reduto para a defesa dos interesses de qualquer país. Costuma-se dizer que é a falar que as pessoas se entendem, o mesmo se aplica às nações.

Esta iniciativa parece revelar um descuido dos EUA em relação à Rússia, era de prever que a Rússia tivesse uma reacção semelhante... afinal os Russos têm um grande interesse na região quanto mais seja não devido à sua proximidade geográfica.

A ideia de defesa anti-míssil por parte dos Estados Unidos já tinha levado os russos, na altura soviéticos, a temerem pelo seu poder de dissuasão e a envolverem-se em inúmeras iniciativas para superar este intento. A iniciativa de Reagan com a sua famosa "Guerra das Estrelas", onde um satélite no espaço destruiria os mísseis atacantes, foi, segundo alguns, o início do fim da União Soviética.

Embora este seja, aparentemente, um gesto de segurança, o facto é que deixa as nações inseguras por não confiarem na guarda dos EUA, podendo mesmo desencadear uma corrida aos armamentos.

A bem das relações internacionais espero que a diplomacia venha a desempenhar um papel mais proactivo e menos reactivo, principalmente em matérias sensíveis e que podem alterar o equilíbrio Mundial, como é o caso deste sistema anti-míssil.

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Sunday, June 03, 2007

Opiniões...

Faz hoje uma semana que o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou a uma emissora de televisão a renovação da sua licença, ou seja acabou com uma estação televisiva privada a RCTV.

Existe uma grande contestação em torno desta questão, e quanto a mim justificadamente, principalmente por estas razões:

  1. É uma televisão privada que consistentemente faz oposição ao presidente venezuelano;
  2. Tem uma cobertura televisiva a nível nacional;
  3. Já existe há 53 anos (a história também pesa).

Parece que não é a primeira vez que a RCTV tem problemas com o Governo venezuelano, tendo as suas emissões sido suspensas e retomadas embora por períodos de tempos mais curtos do que uma semana.

A RCTV foi agora substituída pela TVes, uma emissora televisiva de serviço público, cujo o único serviço que parece prestar é ao próprio dirigente venezuelano. Como poderemos ler aqui nas palavras do próprio "A TVes completa amanhã (domingo) sua primeira semana de vida e já nos enche de mensagens lindas, de paz, de esperança".

Contudo existem apoiantes que justificam esta decisão "como uma posição corajosa que finalmente acaba com corajosa decisão e meteu a mão na temível caixa preta das concessões para emissoras em sinal aberto", considerando ainda ser danosa a livre actuação dos meios de comunicação.

A livre actuação dos meios de comunicação é benéfica, especialmente numa democracia... é a liberdade de ideias e o seu debate que fazem as sociedades avançarem.

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Saturday, June 02, 2007

Problemas no Banco Mundial

Recentemente assistiu-se a um caso de corrupção numa organização internacional que deveria ter como objectivo o desenvolvimento Mundial, o Banco Mundial. Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial, foi forçado a apresentar a sua demissão a 30 de Junho de 2007, após se ter descoberto que tinha usado a sua influência pessoal para promoção e aumento do salário da sua namorada.

Um aspecto que quanto a mim sobressai neste caso é este senhor não ser o indicado para o lugar, além de não estar alinhado com o espírito e os objectivos do Banco não era uma pessoa honesta. Penso que seja legítimo perguntar se a escolha do Presidente (e principal representante da instituição) falhou redondamente será que a escolha dos outros elementos também é feita de uma forma tão leviana?

Algo que ainda vale a pena reflectir sobre este caso é a insistência que foi feita em tentar manter o agora presidente demissionário, tanto do próprio como do país que o nomeou (Estados Unidos)... a este nível não se pode esquecer, olhar para o lado ou mesmo desculpar, é necessário actuar!

Penso ainda ser irónico o facto de uma das vias pelas quais o Banco Mundial se propõe a alcançar o desenvolvimento Mundial ser através do combate à corrupção, contudo dentro da própria organização esta existir. Mais irónico ainda é prentender-se punir os países corruptos e querer esquecer a corrupção interna....

Penso que a própria estrutura do Banco Mundial é em si um problema que compromete os seus objectivos. Penso que detém uma forte componente política e por ter como principais clientes os governos está muito dependente das reformas que estes pretendem executar.

É do senso comum e também das organizações que se encarregam dos desenvolvimento que se deve dar atenção às pessoas menos favorecidas e criar estruturas que lhes permitam melhorar as suas condições de vida. Quando se trata de ajudar qual é o primeiro sector a que nos vem à memório? o agrícola, porque por norma são as pessoas do campo que passam maior dificuldade, porém existe uma classe de pessoas que ainda tem mais dificuldade: as pessoas que nem têm terra para cultivar...

Se após tantos anos de insucesso com as ajudas agrícolas, porque razão não experimentar outro caminho? bem sei que emprestar dinheiro aos agricultores é mais fácil, mas se já se sabe onde desagua esse rio, para quê persistir no erro?

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Tuesday, May 01, 2007

A evolução das organizações

Um dos princípios fundamentais do Marketing, se não o fundamental, é o de que se deve satisfazer as necessidades do cliente.

Uma empresa só consegue existir se entregar ao cliente o que ele procura, ou seja a empresa vende um meio para o consumidor satisfazer, ainda que momentaneamente, a sua necessidade.

Olhando um pouco melhor para este princípio, verificamos que qualquer organização tem como finalidade satisfazer os seus clientes, sejam eles internos ou externos à organização.

Fazendo uma análise crítica constatamos que a razão pela qual a nossa sociedade funciona (exceptuando algumas situações) decorre da aplicação deste princípio, conseguir aceder aos desejos de cada um.

Desde sempre que se criaram com organizações, isto porque ou novas necessidades tinham de ser satisfeitas ou continuava a ser preciso satisfazê-las.

Actualmente o crescimento das organizações sem fins lucrativos tem vindo a ser alvo da minha atenção. Não consigo deixar de me perguntar porque razão este crescimento? Porquê a necessidade de criar novas instituições? Após uma reflexão identifiquei alguns motivos, que quanto a mim, justificam deste fenómeno:

(i) As necessidades da população evoluem mais rapidamente do que as organizações;
(ii) Desvios nos princípios fundadores das organizações;
(iii) As pessoas não são as adequadas;
(iv) Falta de feedback das suas actuações;
(v) Descrédito existente das actuais organizações.

Segue-se agora uma pergunta pertinente: como evitar que as actuais organizações se tornem obsoletas? A minha resposta para essa pergunta é o silêncio… Cada organização enfrenta os seus próprios problemas e como tal deve ter soluções específicas e não gerais.

Prefiro responder à seguinte questão: o que se pode fazer para continuar a servir aqueles que precisam? Evitar que a livre iniciativa de cada um esbarre com as barreiras impostas por quem actualmente não consegue cumprir o seu objectivo.

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Sunday, April 01, 2007

Measure twice, cut once

Foi aprovado, no dia 27 de Março de 2007, na câmara de representantes dos Estados Unidos da América a retirada das tropas norte-americanas do Iraque até 31 de Agosto de 2008.

Apesar de reconhecer que a situação iraquiana se torna cada vez mais complicada, receio que fugir é uma solução que se afigura para todos os problemas… na verdade a mais fácil, mas não a mais correcta.

Penso que Bush está correcto se, como diz que fará, vetar esta decisão, mas temo que será uma causa perdida, porque já passou muito tempo e resultados teimam em não aparecem.

Interpreto este gesto como um sinal de que os Estados Unidos já deram por perdida a questão iraquiana, assim como inevitavelmente irão retirar as tropas antes que se consiga estabelecer a ordem necessária no país.

Um chavão é que a história repete-se, e a verdade é que tal está prestes a acontecer… novamente com os Estado Unidos e novamente no continente asiático, anteriormente no Vietnam, agora, excepto se algo de muito extraordinário inverter os acontecimentos, certamente no Iraque.

Recentemente vi a referência a um livro de carpintaria cujo título contém uma lição que se aplicada bastante bem a este caso: measure twice, cut once. Será que no futuro vão aplicar este conselho?

Erros destes realmente pagam-se, como? Então pergunto: qual a credibilidade que resta para resolver a questão iraniana?

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Sunday, March 25, 2007

Abram alas para a aniversariante

Há precisamente 50 anos nasceu uma entidade que, a pouco e pouco, mudou a vida do Mundo, a União Europeia.

Há 50 anos muito da União Europeia era diferente, a começar pelo nome (Comunidade Económica Europeia) e a acabar número de membros, na altura 6, agora 27.

Se bem que no geral avalio a performance da aniversariante de uma forma positiva, houve momentos em que as coisas não correram tão bem, como por exemplo:

  • O constante desentendimento entre alguns países que efectivamente detêm poder de decisão na União Europeia;
  • As dificuldades até se chegar à moeda única;
  • O problema da constituição europeia;
  • A Política Agrícola Comum uma grande sorvedora dos recursos económicos da União Europeia

Eu identifico a seguinte razão como o maior entrave ao avanço da União Europeia:

  • A maioria dos eleitores de um país não terem a mesma opinião do que a dos demais.
Não sou contra a divergência de opiniões, antes pelo contrário, apenas estou a constatar o problema em si. Este facto leva a que os representantes de uma nação respeitem mais os interesses internos do que os externos, levando a que a União Europeia seja relegada para segundo plano.

Isto em si não representaria um problema se a um país correspondesse um voto, evitando que o desejo da maioria não seja repelido pela minoria. Porém isto não acontece porque a cada país não corresponde uma proporção do número de eleitores que tem.

Por exemplo, será justo que num país, em vez do tradicional sistema uma pessoa um voto, tivessemos um outro tipo sistema "democrático" onde vigorasse um Euro um voto? Se tal não é justo numa democracia, então porque razão um sistema semelhante parece acontecer na União Europeia?

Dir-se-á que este porém é o sistema menos mau, uma vez que permite a países que mais contribuem para a União continuarem a subsidiá-la, e como tal permite a continuação da União Europeia... mas então pergunto: há 50 anos atrás trouxeram à vida uma unidade europeia coesa e justa ou apenas um meio para que alguns países se pudessem sobrepor a outros?

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Saturday, March 10, 2007

A Impossibilidade e as eleições francesas

O economista laureado com o prémio Nobel, Kenneth Arrow, exprimiu há muitos anos atrás algo incrível sobre o sistema de votações, algo que ficou conhecido como teorema da impossibilidade .

O que este este autor fez foi pensar em cinco condições razoáveis para qualquer situação onde um grupo tenha possibilidade de escolha:

Independência das Alternativas Irrelavantes - Se das alternativas A e B, a A é melhor que a B, então se juntarmos uma terceira alternativa, C, então B não pode ser melhor que A.

Não Ditadura - Nenhum indivíduo sozinho pode tomar a decisão do grupo.

Eficiência à Pareto - Se uma decisão é tomada por unanimidade deve prevalecer.

Domínio Ilimitado - Não são impostas restrições às escolhas dos agentes.

Transitividade - Se a alternativa A é melhor que a B, e a alternativa B é melhor do que a C, então necessariamente a alternativa A tem de ser melhor do que a C (A>B, e B>C => A>C!)

Após ter pensado nestas 5 condições indispensáveis a qualquer sistema de decisão de grupo, resolveu confrontar a teoria com a prática... resultado: nenhum sistema de decisão em grupo com mais de duas alternativas reune estas 5 condições que aparentemente são bastante razoáveis.

Por incrível que possa parecer isto acontece no Mundo e é mais actual do que se pensa... vejamos as eleições francesas:

Alternativas: Ségolène Royal (partido socialista, PS); François Bayrou (partido de centro, UDF), Nicolas Sarkozy (partido de direta, UMP).

De entre estas três alternativas uma sondagem registou que a votação teria a seguinte ordenação: 24% Bayrou, 25% Royal e 26% Sarkozy. Porém verifica-se que Bayrou passasse a uma segunda volta e defrontando Sarkozy aquele ganharia com 55%!

Sarkozy que na primeira votação é "melhor" que Royal e esta melhor que Bayrou, acaba por na segunda volta ser "pior" que a "pior" alternativa da primeira volta Bayrou.

Citando o anúncio: há coisas fantásticas, não há?

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Monday, February 19, 2007

Integração de imigrantes nas escolas

A euronews noticia que os Estados Membros da União Europeia devem preparar os seus sistemas de ensino para integrarem o crescente número de alunos estrangeiros. Cada país deveria ter o seu sistema de ensino preparado já preparado para esta tarega a partir de 2010.

Apesar de concordar com a ideia tenho alguma dificuldade em perceber alguns pontos:

Começa-se pelo problema da língua... qual a língua que se irá falar nas salas de aula? será necessário arranjar 1 língua comum, e atendendo a que ainda estão na fase escolar penso que o inglês não será um hipótese a considerar.

Como é que se irá fazer para os alunos terem aulas de português? cada escola contrata professores de acordo com as necessidades individuais ou várias escolas juntam os seus alunos e recebem aulas em conjunto?

Implicará este aumento de mobilidade escolar uma uniformização das matérias leccionadas? na disciplina de história, p.e., qual a matéria que os alunos terão de saber? a da Europa ou do país em que se está a dar a aula?

Confesso que tenho dificuldade em conseguir responder a estas perguntas... será que esta ideia irá mesmo para a frente? e se sim para quando é que se prevê o seu início? certamente não em 2010

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Mais uma região autónoma

A região da Andaluzia, votou ontem em referendo a sua autonomia em relação a Espanha.

Facto a reter foi a elevada abstenção registada nas urnas (65%), dizem os especialistas que tal se deveu à confiança dos eleitores em relação ao resultado. Coloco as seguintes reflexões:

Por estarmos confiantes num resultado temos o direito de nos emiscuir do que temos direito?

Será que as pessoas se apercebem do valor que tem o seu voto? ou do direito de escolha que possuem?

Será que outros países europeus também vão ter níveis de absenção semelhantes aos registados em Portugal (referendo do aborto) e Espanha (referendo da autonomia da Andaluzia). Ou seja este fenómeno é apenas local ou global?

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