Wednesday, June 25, 2008

Robin dos Bosques

Com a recente escalada dos preços dos produtos petrolíferos e a economia a apertar, vários Governos Europeus procuram remediar a situação através de... um imposto.

Apesar de ninguém ainda ter entendido como funciona este imposto, as notícias indicam que irá incidir sobre os lucros das empresas petrolíferas para depois ser revertido como apoio a famílias necessitadas.

Confesso que discordo por completo com este imposto, o que se está a dizer é que as pessoas que têm carro estão a financiar as famílias mais pobres, porém mais do que isso é criar uma nova distorção na economia: estar a criar um imposto extra que quem vai acabar por pagar será o consumidor final!

Se os Governos querem resolver problemas tal não deverá acontecer com impostos que apenas criam mais problemas do que aqueles que resolvem. Se o objectivo é aumentar a protecção social não deveria ser antes colocado um imposto sobre os rendimentos da parte da população que querem que contribua para a tal causa - neste caso as famílias mais abonadas (aquelas que têm carro)?

Termino com a pergunta, e será que a única solução que os Governos conseguem pensar para a Economia de um país é sobrecarregar as pessoas com impostos?

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Tuesday, June 10, 2008

A crise dos combustíveis

Actualmente temos vivido uma época em que o preço das matérias primas tem vindo a aumentar, e o preço dos combustíveis não é excepção, algo que tem levado a: 1) algum aproveitamento político por parte dos partidos que já dão indícios de uma campanha legislativa para 2009; 2) Greves de algumas classes trabalhadoras.

Comecemos do início, por exemplo, como é composto 1 € de gasolina 95 (em Abril de 2008, segundo esta fonte):

Preço Internacional - 0,322
Armazenamento + Transporte - 0,014
Retalhistas (Gasolineiras) - 0,074
Impostos - 0,587

Como pequeno aparte se somarmos tudo verificamos que o total não é €1, mas falha apenas por € 0,03. Para qualquer esclarecimento podem pedí-lo à Autoridade da Concorrência:)

O que se conclui é que apesar do Governo não ser o culpado da subida do preço internacional a verdade é que este pode influenciar (e na verdade é o que faz) o preço a que cada um de nós alimenta o nosso carro. O que pagamos de imposto de gasolina representam 59%, ou seja admitindo que não houvesse impostos, conseguíamos meter o dobro do combustível no nosso carro e ainda poupávamos dinheiro!

Apesar da solução parecer ser simples implica, pelo menos teoricamente, uma redução da receita, uma vez que se há diminuição de impostos, então a receita tende a ser menor, ou será que não?

Pode acontecer que, se os impostos sobre os combustíveis forem mais baixos, as pessoas consumam mais gasolina e a receita fiscal pode até aumentar (o efeito da quantidade compensa o efeito do preço), e caso isso aconteça não será verdade que os consumidores ficavam melhor? aliás não ficaríamos todos melhor? o Governo recebia mais impostos e os consumidores pagavam menos!

Existe apenas um pequeno problema com esta teoria, o facto de desconhecer qual é exactamente o nível de imposto que irá provocar esta melhoria conjunta... mas e daí talvez não, afinal se a máquina fiscal estiver bem oleada (com informação suficiente), deverá saber, através da base de dados fiscal, a partir de que preço se inibe o consumo de combustíveis e consequente baixa de receitas fiscais e qual o preço que faz aumentar o seu consumo.

Como dizia um antigo primeiro ministro, é uma questão de fazer as contas (porém atendendo aos resultados que Portugal apresenta da Matemática a esperança que se consiga fazer estas simples contas é diminuta).

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Saturday, May 17, 2008

Economia Portuguesa

Esta semana o Governo Português veio confirmar o inevitável, baixar as estimativas de crescimento da economia portuguesa de 2,2% para 1,5%. Face à difícil conjuntura internacional e à escalada dos preços da energia e de alguns alimentos dificilmente Portugal conseguiria crescer à taxa de 2,2%.

Apesar de tudo o que mais me choca é o facto de estarmos a testemunhar taxas de crescimento baixíssimas... não é admissível que Portugal estando num espaço europeu, com incentivos ao desenvolvimento, não consiga ter crescimentos superiores aos seus colegas europeus...

É inútil estar a discutir se Portugal deverá crescer 1 ou 2%, mas sim porque não está a crescer a 3% ou 4%... é o mesmo que estarmos a dizer que não conseguimos aproveitar as potencialidade que o mercado único europeu nos trouxe.

E dificilmente se poderá ultrapassar este "marasmo" em que estamos se: i) continuarmos a ter um sistema judicial que tem dificuldade em dar resposta ao que se lhe é exigido ii) uma educação que teima em deixar os alunos portugueses mal preparados para o futuro iii) o Estado continuar inefeciente na maneira como atende os cidadãos, ou não conseguir resolver os assuntos noutra língua que não o Português (i.e. Inglês).

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Sunday, April 06, 2008

Euro/dólar

Com a recente instabilidade nos mercados financeiros e com a depreciação do dólar fala-se de que o Euro possa vir a substituir o dólar como moeda de referência nas transacções internacionais.

Isto é algo que eu acredito que não venha a acontecer a curto / médio prazo. Malgrado a difícil situação em que a economia norte americana se encontra neste momento, ainda não existe uma moeda que apresente o seu nível de credibilidade.

Penso que ainda é prematuro empoleirar o Euro e considerá-lo, por enquanto, como o substituto do dólar. A moeda europeia ainda está numa fase inicial, é demasiado jovem e as bases que o sustentam ainda não estão suficientemente solidificadas.

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Tuesday, February 19, 2008

Ideias milionárias

É costume dizer-se que uma grande ideia pode fazer-nos ricos no entanto por vezes não nos apercebemos do quão perto essa ideia pode estar. As oportunidades estão à espera de serem descobertas e por vezes são as ideias mais simples, mas originais, que vingam e transformam a nossa vida... e com sorte o Mundo.

Recentemente vi na Internet alguns casos de sucesso, os quais gostava de compartilhar com vocês:

1 - Fazer dinheiro do nada

Um rapaz de 21 anos Alex Tew quis pagar os seus estudos universitários e conseguiu-o com uma ideia que lhe rendeu 1 milhão de dólar: pegar num website e dividí-lo em um milhão de pequenos quadradinhos (pixeis) e vender a empresas cada pixel por 1 dólar (na realidade blocos de 10x10 a $100 cada)… as empresas ficaram tão interessadas em conseguir pelo menos 1 desses blocos que rapidamente o rapaz fez 1 milhão de dólares.

2 – Acreditar no Pai Natal

Byron Reese lembrou-se enviar cartas em nome do Pai Natal com a morada no Pólo Norte e cobrar 10 dólares por carta. Actualmente ele e os seus colaboradores escrevem mais de 200.000 cartas por ano… será que ainda devemos gozar por acreditarem no Pai Natal?

Estes são casos concretos de como uma ideia pode vingar, independentemente da formação ou origem social da pessoa, basta ser boa e sabermos explorá-la, depois teremos o céu como limite.

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Saturday, February 16, 2008

Uma Explicação Simples

Recentemente tive uma pequena discussão sobre como começou a famosa crise do subprime. Aqui fica, em Inglês, uma explicação simples e bastante engraçada sobre a origem da crise do subprime.

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Thursday, December 27, 2007

Pérolas da Comunicação Social

Hoje, a ver o Jornal de Negócios, reparei nesta estranha notícia: Bolsa nacional cai em dia de perdas generalizadas

Gostava de saber o que se passou na cabeça da jornalista para escrever tal título... assim vai o jornalismo em Portugal!

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Saturday, November 17, 2007

Desemprego em Portugal

Recentemente o INE (Instituto Nacional de Estatística) publicou as estatísticas do emprego. Desta estatística salta-nos um número bastante importante, a taxa de desemprego em Portugal encontra-se em 7,9% , ou seja de cada 100 pessoas aptas para trabalhar cerca de 8 estão sem trabalho.

O número em si é pouco revelador, porém se olharmos com atenção verificamos que, infelizmente, desde 2000 que a taxa de desemprego tem vindo a aumentar. Esta passou de cerca de 4% para o dobro em apenas 7 anos, uma tendência já de si preocupante!

A situação fica pior quando aproximadamente metade das pessoas desempregadas estarem nessa situação há mais de um ano... um sinal bastante evidente de que a actual situação está má e é necessário que a economia Portuguesa se torne mais dinâmica. Fala-se em flexisegurança, porém quando a maioria das pessoas desempregadas estão mais de um ano sem encontrar emprego mostra que ainda há muito trabalho a fazer.

Ao Governo é solicitado que saiba baralhar e dar as cartas (algo que ainda tem muito que aprender), porém cabe aos jogadores fazerem uso das suas competências e alcançarem o seu potencial.

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Saturday, November 10, 2007

Um novo aeroporto para Lisboa

A questão de um novo aeroporto para Lisboa tem suscitado uma troca de argumentos interessante entre os vários movimentos políticos. Os partidos, confederações ou simples organizações esgrimem argumentos sobre um eventual novo aeroporto que sirva Lisboa.

Antes de entrar na discussão em si, começo por me perguntar:

(i) Até que ponto é que o actual aeroporto não consegue ter capacidade de resposta para o crescente tráfego que lhe é dirigido?

(ii) Caso não consiga é possível expandir o actual aeroporto? colocar novos terminais em terrenos próximos do actual? e quanto custará?

Sem ainda ter resposta para nenhuma das questões acima, vou então partir do pressuposto de que esta discussão sobre um novo aeroporto para Lisboa é realmente válida, que o actual aeroporto, mesmo com expansão não tem capacidade de escoamento. É então necessário começar a pensar em localizações para um novo aeroporto...

É necessário começar a apontar as vantagens e as desvantagens sobre cada uma dessas alternativas para depois reduzir o leque de escolha às 3 melhores alternativas. Depois dessa escolha ser feita, será necessário ter um estudo comparativo entre as alternativas escolhidas (detalhe de todos os custos envolvidos em todas as alternativas) que estão em cima da mesa e que também defina qual o destino do aeroporto da Portela.

Curiosamente este ou qualquer outro processo parece não terem sido realizados, somos apenas postos perante duas localizações possíveis, Ota ou Alcochete... os passos que levaram as diferentes entidades a escolherem cada uma dessas alternativas foram (infelizmente) omitidos.

Depois outro aspecto curioso é o facto de que cada um dos lados parece não querer cooperar com o outro. Dá a impressão que este processo está a ser conduzido com alguma levianidade, apesar de estarem envolvidos milhões de Euros do nosso dinheiro.

Para finalizar estou curioso para saber qual a dificuldade de as diferentes partes se sentarem à mesa para limarem as arestas existentes e produzir um estudo com credibilidade e bem feito, afinal o que está aqui em causa é o bem público, ou será que não?

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Saturday, October 27, 2007

Quem compra quem?

Esta quinta-feira, dia 25 de Outubro, sucedeu algo muito curioso... O banco BPI fez uma proposta de fusão ao BCP, uma proposta que se diz amigável.

Recuando um pouco no tempo verificamos que desde há um ano para cá o BCP tem dado vários "tiros no pé":

(i) Tentativa falhada de compra do BPI;

(ii) Um sistema de contagem de votos que falha em momentos cruciais;

(iii) Guerra entre as duas cabeças do BCP - Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto;

(iv) O recente caso do empréstimo ao filho do Presidente do Conselho de Supervisão e fundador do Banco Jardim Gonçalves.

A juntar-se a isto existe algo curioso, o aumento de força negocial que o BPI tem vindo a ganhar: superou a tentativa de compra do BCP, apresenta resultados robustos, uma estrutura accionista estável e uma equipa de gestão sólida.

Acresce ainda o facto de que Jardim Gonçalves já disse, há algum tempo atrás, que via com bons olhos uma eventual fusão entre os dois bancos... ou seja o cenário já estava montado, faltava apenas um dos bancos dar o primeiro passo, e as circunstâncias ditaram que fosse aquele que, neste momento, se encontrava mais forte.

Era minha opinião que tal não iria acontecer - e continuo a pensar que é um pouco prematuro - tinha a ideia de tal acontecer apenas quando as acções do BCP caíssem abaixo dos € 3, tornando-se muito mais apetecíveis e a diminuírem a margem de manobra dos accionistas.

A proposta realizada pelo BPI é chamada de fusão amigável, termo teoricamente definido como ambas equipas de gestão concordam que a fusão das sociedades será benéfica para os respectivos accionistas. Se assim é somos logo confrontados com a pergunta, qual foi o envolvimento da equipa de gestão do BCP? Pergunta que o BPI já respondeu ao afirmar que apenas uma pessoa do BCP teve conhecimento da notícia na noite anterior, o próprio Jardim Gonçalves.

Segundo o documento entregue à Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, pelo BPI, pode-se constatar que esta proposta não está amadurecida e foi realizada à pressa... o texto não se encontra justificado, não está bem escrito (pequenos detalhes que fazem a diferença) e apresenta alguns pontos incríveis, como por exemplo 31 Membros num Conselho de Administração!

Por isto e a acrescer às reacções já demonstradas, creio que no futuro imediato o BCP não irá repudiar a proposta que tem em cima da mesa, mas sim fazer uma contraproposta em termos que lhe sejam mais favoráveis, nomeadamente em relação ao preço proposto e quanto à nomeação da equipa de gestão.

Se a fusão avança ou não dependerá mais das cedências realizadas por cada um dos lados do que da própria vontade (que é notória haver nas equipas de gestão).

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Friday, October 05, 2007

Uma frase infeliz...

Existem pessoas que têm muito azar... e o nosso actual Ministro da Economia, Manuel Pinho, parece ser uma delas. Esta semana Pinho brindou-nos novamente com uma das suas pérolas, ao afirmar que não irá aumentar os preços da electricidade por forma a que as empresas eléctricas aumentem os seus lucros.

Primeiro que tudo parece-me importante notar que em Portugal existe um regulador do mercado da electricidade, a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), mas novamente dá a sensação que nada decide: é tempo de perguntar que raio é que eles estão ali a fazer se acabam por não conseguirem decidir sobre nada e as suas opiniões ignoradas...

Depois custa-me a crer que alguém que se quer bem informado sobre os assuntos sobre os quais delibera, diga tamanhas barbaridades...

As eléctricas recebem dinheiro de duas formas: pelos consumidores e pelo Estado. Pelos consumidores através da factura que lhes é feita chegar e pelo Estado (como os preços cobrados aos consumidores são inferiores ao custo de produção o resto da factura é remetida para o Estado).

Por isso independentemente da forma como lhes é paga a electricidade, as empresas ficam sempre a ganhar, mas será mesmo assim?

Se o Governo decidir aumentar o preço da energia então estará a caminhar no sentido de uma sociedade mais justa, onde cada um paga o que gasta e não o que os outros gastam. Curiosamente além de termos uma sociedade mais justa, também teremos uma sociedade que consome menos energia porque se torna mais consciente dos custos associados ao seu consumo.

O não aumentar os lucros das eléctricas passa então pelo livre funcionamento do mercado, ou seja, precisamente o contrário do que o Ministro está a fazer, talvez fosse uma boa ideia colocá-lo na ERSE... Se o Governo gosta tanto de contrariá-la, ao menos desta vez, se Manuel Pinho lá estivesse, poderia ser que as decisões tomadas fossem mais acertadas.

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Wednesday, September 19, 2007

Espirros e constipações

Recentemente os mercados financeiros têm andado agitados… apesar de se saber o que causou a recente crise, ninguém tem a certeza porque motivo teima em não desaparecer, arrastando consigo instituições financeiras.

Após as baixas das taxas de juro nos Estados Unidos, as pessoas começaram a investir no mercado imobiliário (casas e terrenos) e os bancos foram baixando os níveis de exigência relativamente ao crédito concedido. Porém após os aumentos verificados nas taxas de juros, as famílias mais endividadas não conseguiram enfrentar este aumento de encargos, tornando-as incapazes pagarem as suas dívidas.

Apesar de simples, este é um problema que afecta todo os países, isto porque hoje em dia, além das economias estarem todas interligadas, os próprios bancos podem vender e comprar os empréstimos uns dos outros. Ou seja o que começou por ser um espirro vindo da América pode muito bem tornar-se numa constipação a nível mundial.

Os bancos que investiram neste tipo de créditos enfrentam alguns problemas por não conseguirem reaver o seu dinheiro, curiosamente, ou não, as pessoas como não são parvas começam a pensar se o dinheiro que está no seu banco está realmente seguro ou não. Dessa reflexão resultam apenas duas respostas: sim ou não.

Se o banco for seguro então não existe problema, mas se não for, então cada pessoa quererá reaver o seu dinheiro o mais rapidamente possível, mesmo que isso acarrete algumas perdas (é melhor ter pouco do que nada).

Este tipo de comportamento origina uma corrida aos bancos, como foi o caso do 5º maior banco em Inglaterra, o Northern Rock, levando a que estes tenham de pedir emprestado dinheiro (porque não conseguem devolver o dinheiro a todos os seus clientes de uma só vez) ou de começar a vender os seus activos a preços independentemente do preço, provocando uma quebra nos mercados (e um efeito em cadeia nada engraçado para quem tem dinheiro investido neles).

A resolução do problema de liquidez dos bancos parece-me ser simples, embora possa colocar uma questão bastante pertinente: haver uma entidade responsável (Banco Central) que empreste dinheiro a uma taxa baixa (se os bancos conseguirem devolver o dinheiro aos depositantes, então não haverá uma corrida aos bancos).

Claro que este tipo de medidas é um forte incentivo a que os bancos aumentem a sua exposição ao risco, afinal de contas se existe uma almofada de protecção, porque razão não contar com ela? Este é um claro ponto contra esta medida, porém levanta-se a questão, quem é que pretende ter problemas de liquidez e perder clientes?

Apesar de se poder saber quais os remédios para as economias pararem de tossir ou espirrar, a cura para a constipação ainda falta ser encontrada, pois ainda não se sabe muito bem como a razão pela qual subsiste.

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Monday, September 17, 2007

Efeito Borboleta

Há quem acredite e há quem seja céptico em relação à teoria do caos, esta diz que todos os acontecimentos, por mais insignificantes que possam parecer, estão relacionados. Como exemplo máximo desta teoria é-nos dito que se uma borboleta bater as suas asas na Europa irá provocar um tufão na América Latina.

O preço do trigo tem vindo a atingir máximos históricos, custando actualmente cerca de duas vezes mais que há um ano atrás, apesar de parecer algo que não nos afecta, a verdade é que se trata de um assunto verdadeiramente preocupante.

Lembro-me de há uns anos ter caído o Carmo e a Trindade por o preço do pão ter aumentado, a autoridade da concorrência até foi chamada para investigar o que se estava a passar. Contrariamente ao que era noticiado, a causa do aumento do preço do pão de então não se devia a uma subida internacional dos preços, ou ao aumento das margens das industrias transformadoras, mas sim de um acordo entre as empresas do sector.

Actualmente o caso é muito mais grave e é expectável uma nova subida dos preços do pão, devido ao crescimento exponencial do preço do trigo… em Itália onde a farinha subiu perto de 100% em menos de dois meses registou-se uma greve (não comprar pasta), a qual teve um efeito mais simbólico do que real, mas com resultados admiráveis.

A razão apontada para esta subida de preços no mercado internacional prende-se com a insuficiência da produção. A produção mundial de trigo é insuficiente para responder às crescentes necessidades da indústria de biodiesel, ou ao aumento súbito das necessidades cerealíferas dos países.

A União Europeia já teve de intervir do lado da oferta, ao aumentar a área de cultivo... no entanto continuo com algumas perguntas:

(i) Até chegar a época da colheita, como se está a pensar resolver o problema?

(ii) Será que compete à União Europeia resolver a situação?

P.S.- É incrível como algumas borboletas podem provocar tufões económicos…

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Saturday, September 01, 2007

O caso BCP

Começo por pedir desculpa por introduzir um tema que já foi amplamente discutido na praça pública, mas que não posso deixar passar, o BCP.

Considero que Jardim Gonçalves teve muito mérito em criar o BCP e respeito-o bastante por isso, porém considero que recentemente o seu comportamento tem sido tudo menos correcto.

Quem deve mandar numa empresa são as pessoas que detêm a empresa, não um Conselho quer seja ele de Administração ou de Supervisão. São os accionistas que devem delegar a responsabilidade de administração das empresas, ou neste caso dos bancos, não quem está na cadeira do poder...

Infelizmente o que se tem vindo a verificar no BCP é que um antigo líder se retirou, mas ao mesmo tempo não se retirou, está mas não está... quer mandar, mas não quer aparecer, quer fazer, mas quer estar nos bastidores e que alguém faça por ele.

Este tipo de comportamento não é conciliável nem aceitável para um banco da dimensão do BCP... as pessoas que controlam o BCP não são os accionistas (será que alguma vez mandaram?), mas sim quem está agarrado à cadeira e perante este cenário inquiro se alguém está disposto a investir no BCP no longo prazo.

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Muita energia

Soube que a partir de hoje os preços de electricidade baixam em 3,1% até ao final do ano. Aparentemente uma excelente notícia para os portugueses, mas será mesmo?

Curiosamente em Outubro do ano passado a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) através do então Presidente, Jorge Vasconcelos, falava de aumentos nos preços da electricidade para 2007 a uma escala assombrosa, para cima de 15%, mas agora até reduz os preços... o que pode ter evoluído para que tal aconteça?

Aliás em Março o actual Presidente da ERSE, Vítor Santos, afirmou que o aumento de produção de energias renováveis "vai ter impactos negativos nas tarifas eléctricas", encarecendo-as a curto prazo. (Fonte: Diário de Notícias).

O electricidade em Portugal apresenta duas peculiariedades:

(i) Parte da nossa electricidade é paga directamente dos nossos bolsos, a outra indirectamente (através dos nossos impostos);

(ii)É um mercado fortemente regulado.

Para que as oscilações de preços da electricidade não sejam tão gravosas para o país, a ERSE, uma entidade "independente", dita quais serão os preços que se vão verificar.

Acontece que os preços da electricidade são inferiores aos custos de produção, ou seja, custa mais produzir um MegaWatt do que o que nós pagamos por ele... e como é que as empresas conseguem sobreviver? através da ajuda do Estado, o chamado défice tarifário... o Estado por meio dos impostos (ou apenas daqueles que pagam...) dá dinheiro às empresas produtoras de energia.

Desde logo surgem duas perguntas: será justo o leitor pagar a conta dos outros? Se consumimos tanta energia de uma forma ineficiente, qual a razão para que se continue a manter preços artificiais, induzindo um aumento do consumo?

A electricidade é uma arma política muito sensível... tão sensível que o Governo têm-na sob controlo de uma entidade que se diz independente, mas que no final de contas está sujeita às vontades políticas, só assim se justifica que por duas vezes consecutivas o Presidente da ERSE diga uma coisa para depois se vir a verificar outra totalmente diferente.

P.S.- O facto de Jorge Vasconcelos se ter demitido é novamente algo que comprova a necessidade de controlo que o Governo tem. (quem tiver curiosidade ver aqui um resumo do que disse aquando da sua demissão)

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Sunday, August 19, 2007

Sobre o trabalho em Portugal

Recentemente saiu uma estatística do INE a dizer que os custos por trabalhadores, no segundo trimestre, cresceram mais do que a média comunitária.

Este crescimento verificado prende-se com dois factores:

(i) a subida dos salários;

(ii) diminuição do número de horas trabalhadas.

Á primeira vista o resultado parece mau, uma vez que as pessoas estão a ser mais bem pagas, porém a trabalhar menos... porém depois surge a questão: mas afinal o que interessa são as horas trabalhadas ou o que efectivamente se produziu?

Efectivamente no final do dia o que conta será não o tempo dispendido, mas quanto é que se produziu e a qualidade dessa produção.

Observando os números enunciados pelo economista Miguel Frasquilho num artigo ao Jornal de Negócios e pela Swivel, verificamos que embora trabalhemos, em média, um pouco mais do que os suecos, em média, produzimos muito menos que eles...

Infelizmente é triste verificar que em termos médios estamos a ganhar cada vez mais para trabalhar menos, e produzir cada vez menos.

Deixo no ar algumas perguntas:

(i) De onde está a vir o dinheiro para pagar esta insustentabilidade?

(ii) De onde virá o dinheiro se quisermos continuar com a actual situação?

(iii) Se o dinheiro não vier e a situação não se inverter, para onde iremos nós?

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Tuesday, July 10, 2007

Aplicação (nada) inteligente

Como era esperado ,e ao contrariamente ao bom senso que deve imperar nestes assuntos, os Ministros das Finanças da Zona Euro aceitaram o adiamento Francês para atingir o equilíbrio das contas públicas.

O Eurogrupo, um comité informal constituído pelos Ministros das Finanças da Zona Euro, mostrou-se convencido com os argumentos apresentados pelo Presidente Francês, Nicolas Sarkozy. Parece que expressões como "reforma sem precedentes (...) realista e transparente" são suficientes para não se cumprir o que se tinha acordado apenas há 3 meses atrás.

Não me posso deixar de perguntar se o autor de expressões semelhante fosse um representante de um país de menor dimensão, ao invés da França, qual seria a decisão do Eurogrupo...

Num ponto estou de acordo com Sarkozy, a defesa de uma "aplicação inteligente e dinâmica" do Pacto de Estabilidade e Controlo (PEC). Eu acredito que a aplicação inteligente e dinâmica de um Pacto é a sua coerência e o seu compromisso e não dependente de vontades partidárias.
Ah! e vão duas... esta é a segunda vez que rompe com o PEC. Como se diz "não há duas sem três", mas será que "à terceira é de vez"?

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Sunday, July 08, 2007

Casa de ferreiro...

Esta semana o Prsidente Francês, Nicolas Sarkozy, irá tentar convencer os ministros das finanças da zona euro a concordarem com o adiamento, para 2012, o equilíbrio das contas públicas.

Discordo deste tipo de iniciativa, principalmente por duas razões: (i) os acordos são para serem cumpridos (ii) os programas de Governo têm de ser credíveis, independentemente de qual o partido que forme Governo.

Se a União Europeia funciona é porque é credível... estarem sempre a alterar as regras comunitárias é estarem a destruir a credibilidade das mesmas. Se persistirem em erros destes ficam sérias dúvidas quanto ao futuro da União. (Já houve anos que a França infringiu o limite do défice orçamental de 3%, não é boa ideia continuar com este tipo de falhas).

Acho incrível que quando se muda de governante todo o plano de longo prazo muda, principalmente em matérias essenciais para um país. É bastante saudável que haja divergência de opiniões, porém haja o mínimo de coerência e de discussão para minimizar os danos.

É normal vermos os "grandes" a darem lições aos "pequenos", porém em "casa de ferreiro, espeto de pau".

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Saturday, June 16, 2007

Uma questão de energia

Li esta notícia e fui verificar a fonte, porém apenas consegui encontrar os dados de 2005 (aqui, necessário carregar o ficheiro excel de 1.4 megas).

O que a notícia refere é que cada cidadão português consumiu, em média em 2006, cerca de 12 barris de petróleo e refere ainda uma ineficiência de 60% da utilização desse recurso.

Após uma breve investigação verifico que:

(i) em termos comparativos Portugal é realmente ineficiente em transformar energia em riqueza, (até estamos abaixo da Eslováquia...);

(ii) A nossa dependência do Petróleo é realmente elevada (mais de 60% da energia consumida em 2006 era proveniente do Petróleo).

Parece que o problema da produtividade portuguesa não se resume apenas aos trabalhadores, o mesmo acontece em matéria de energia. Isto é particularmente grave se virmos que a electricidade electricidade em Portugal é cerca de 15% mais cara do que a média dos 25 países que em 2005 pertenciam à União Europeia (dados de Janeiro 2006) e que o dinheiro dos nossos impostos anda a ser sugado pelo Governo para manter o "défice tarifário", basicamente pagamos duas vezes o nosso desperdício (atenção que não sou contra o "défice tarifário", penso que promove a equidade social).

Saliento, no entanto, três pontos bastante positivos:

(i) É cada vez mais frequente ver as pessoas a preocuparem-se com este tema;

(ii) O alerta que está a acontecer para a necessidade de usar as energias renováveis (um fenómeno bastante visível por toda a Europa);

(iii) A campanha de eficiência energética protagonizada pela EDP e não só (dando dicas aos consumidores para poupar electricidade).

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Thursday, June 07, 2007

Pedir factura?

Logo na minha primeira aula da faculdade foram-me enunciados 10 princípios básicos da economia e, entre esses, houve um que eu sempre achei bastante interessante: as pessoas reagem a incentivos.

No seu livro Freakonomics, Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, enunciam os 3 incentivos a que as pessoas respondem: monetários, sociais (não querem ser vistos a fazer algo errado) e morais (não ir contra a sua consciência).

Tem-se observado uma campanha do Governo para alertar os cidadãos a pedirem factura, para todo e qualquer serviço que lhes seja prestado. Os objectivos da campanha são a redução da economia paralela e aumentar a base de colecta de impostos.

O Governo usa esta campanha com dois objectivos, o moral (fazer o que está certo) e o monetário (argumentando que se todos pedirem factura os impostos não serão tão altos, a bem deste post não vou comentar este ponto).

Penso que existem três tipos de serviços:

1. Aqueles em que o incentivo monetário entra em conflito com o moral (alguns médicos, mecânicos, etc...), porque quem presta o serviço coloca as seguintes opções ao consumidor:

- Não quer factura – paga X;
- Quer factura – paga X + Y.

2. Outros em que é indiferente pedir ou não pedir factura (alguns restaurantes, cafés, etc...) porque as quantias são pequenas e não nos é dito que temos de pagar mais para ter factura;

3. Outros ainda existem em que o próprio Governo coloca incentivos mais visíveis, como é o caso das despesas dedutíveis no IRS.

Resta apenas saber se o incentivos moral e monetário para que o Governo alerta será suficiente para ultrapassar a indiferença ou para contrapor outros incentivos contrários.

A minha opinião é que esta campanha irá aumentar marginalmente o número de facturas emitidas, porém seria mais eficiente se os incentivos funcionassem todos no sentido de pedir factura.

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